domingo, 25 de maio de 2014

Diagnóstico, Tratamento e Prevenção



Nessa postagem serão apresentados alguns métodos de diagnóstico, tratamento e prevenção da cólera. Peço desculpas pelo caráter altamente técnico e objetivo da postagem, entretanto questões de cunho social relacionados à doença serão discutidas posteriormente

O diagnóstico mais rápido é feito com o uso de microscopia de fase ou de campo escuro, que apenas identifica os vibriões, não diferenciando os sorogrupos. As culturas podem ser feitas a partir das fezes tendo-se o cuidado de semear em meios de cultura até 2 horas após a coleta. O diagnóstico diferencial da cólera faz-se principalmente com diarréia infecciosa por outras enterobactérias.

As alterações laboratoriais encontradas na cólera podem ser: hipoglicemia, hipocalemia, acidose metabólica e elevação dos níveis de uréia e creatinina.

O tratamento consiste inicialmente na monitorização, tratamento, e prevenção da desidratação.

A criança com diagnóstico de cólera deve ser hospitalizada e ter suas perdas repostas por via oral ou venosa, de acordo com seu estado clínico. A prevenção da hipoglicemia faz parte desta terapêutica. A acidose metabólica deve ser corrigida criteriosamente com a hidratação venosa, e nos casos em que o pH está abaixo de 7,1 a reposição venosa com bicarbonato de sódio deve ser efetuada.

A terapêutica antimicrobiana é sempre necessária, porque ajuda a reduzir o tempo de excreção dos vibriões nas fezes. Os antibióticos de uso por via oral recomendados, são: Tetraciclina na dose de 50mg/kg/d de 6/6 horas por 3 dias, usada apenas para crianças maiores de 12 anos e adultos. A doxicilina também pode ser usada em maiores de 12 anos na dose de 6mg/kg/dia em dose única, com dose máxima de 300mg/dia.
Em casos de resistência do germe à tetraciclina, pode-se empregar a furazolidona, na dose de 1,25 mg/kg/dia de 4/4 horas por três dias ou o Sulfametoxazol-trimetropim na dose de 25mg/kg/dia de sulfametoxazol de 12/12 h por três dias. Para as crianças abaixo de 12 anos, entretanto, o tratamento é sempre iniciado com Sulfametoxazol-trimetropim.
Formula Química da Furazolidona




Medidas de higiene ajudam a prevenir a cólera. Algumas delas são:

- Beba sempre água potável. Se não possuir, ferva a água e adicione hipoclorito de sódio (distribuído nos postos de saúde), antes do consumo. A OMS recomenda 6 mg de cloro para cada litro de água

- Lave bem as frutas e vegetais antes de comer;

- Coma alimentos bem cozidos, principalmente verduras e mariscos;

- Descasque frutas e vegetais;

- Tome precauções com relação a alimentos derivados do leite, como queijos e sorvetes;

- Em regiões endêmicas, evite alimentos crus ou mal cozidos, como sushis;

- Deposite o lixo em lugares adequados;

- Proteja os alimentos depois de cozidos;

- Mantenha bons hábitos de higiene pessoal, como lavar sempre as mãos antes de consumir alimentos, tomar banhos, dentre outros.

- Se você é viajante, verifique sempre as condições sanitárias do local para o qual irá.

Nos casos de epidemias, hoje já existe o consenso de que a quimioprofilaxia e as vacinas conseguem deter em parte, a propagação da doença.

As vacinas são constituídas de bacilos mortos e a soroconversão ocorre em menos de 50% dos pacientes. A duração da imunidade adquirida é curta, por um período de no máximo 3 a 6 meses. Existem informações de que a vacina parece não alterar a gravidade da doença.

Atualmente, estudos têm sido feitos com novas vacinas orais com bactérias mortas e vivas e os resultados têm se revelado promissores. Aguarde as próximas postagens para saber mais sobre as vacinas contra a cólera e casos epidêmicos no Brasil.

Fontes:
http://www.cdc.org
http://www.medicina.ufba.br/educacao_medica/graduacao/dep_pediatria/disc_pediatria/disc_prev_social/roteiros/diarreia/intoxicacoes.pdf
http://www.criasaude.com.br/N5856/doencas/prevencao-colera.html

terça-feira, 13 de maio de 2014

Introdução sobre o estudo da patologia: agente etiológico, meios de transmissão, mecanismos químicos e sintomas



O Vibrio cholerae é um bacilo gram negativo flagelado, móvel, que cresce em meios alcalinos e na presença de sais biliares. À temperatura ambiente, sobrevive cerca de 2 a 5 dias em peixes e mariscos, de 1 a 7 dias em vegetais e de 10 a 13 dias na água. 

A água, portanto, é o principal meio de contaminação da cólera. Alimentos expostos à água contaminada e  mãos de portadores mesmo sadios representam as principais formas de aquisição da cólera. Porém, existem ainda relatos de exposição ao bacilo veiculado a moscas e baratas.

Existem mais de 60 sorogrupos do Vibrio cholerae, os quais são separados pelo antígeno somático (antígeno O) e entre eles, somente o tipo O1 causa doença clínica. O sorogrupo O1 pode ter dois sorotipos, o Ogawa e o Inaba, e em relação ao biotipo podem ser classificados como El Tor e o clássico. No Brasil, o Vibrio cholerae responsável pelo quadro diarréico é do sorogrupo O1, biótipo El Tor e sorotipo Inaba.

Os alimentos que mais se relacionam com a contaminação pelo vibrião colérico são os mariscos e os peixes, principalmente aqueles conservados em salmoura, leite de coco, alface e arroz.

O período de incubação da cólera varia de 1 a 3 dias, podendo ocorrer de horas até 5 dias. Como o vibrião é sensível ao pH ácido e cresce em pH alcalino, a diminuição da acidez gástrica predispõe à infecção pelo Vibrio cholerae.

A toxina do vibrião atua no AMP cíclico (Adenosina 3,5-monofosfato) das células epiteliais intestinais, fazendo este nucleotídeo ativar as proteínoquinases, que atuam sobre a membrana celular alterando o transporte de íons e ativando uma secreção intestinal descontrolada. A diarréia da cólera é do tipo secretora, profusa e aquosa, determinando inevitavelmente desidratação grave e óbito caso a intervenção terapêutica não seja imediata.

As complicações desta doença são graves, variando de desidratação à acidose metabólica. Outras complicações metabólicas podem estar presentes como hipocalemia (diminuição da taxa de potássio), arritmias cardíacas, obstrução intestinal, perda de consciência, convulsões e o choque hipovolêmico.
Células do epitélio intestinal contaminadas pela toxina

Fontes:
http://www.cdc.org
http://www.medicina.ufba.br/educacao_medica/graduacao/dep_pediatria/disc_pediatria/disc_prev_social/roteiros/diarreia/intoxicacoes.pdf