O Surto de cólera no Haiti de 2010 começou no
final de outubro de 2010
na área rural do departamento de Artibonite, no Haiti, a cerca de cem
quilômetros de Porto Príncipe, capital do país. O surto matou,
até 19 de novembro de 2010, 1.186 pessoas e hospitalizou 19.646, sendo que em
novembro do mesmo ano foi registrado o primeiro caso de cólera na República Dominicana.
A causa do surto
permaneceu duvidosa até que, em outubro de 2013, o Instituto para a Justiça e
Democracia do Haiti (IJDH), com o apoio das vítimas da cólera, entraram com um
processo na Justiça Federal de Nova York acusando a ONU de provocar a epidemia
da doença no país. Eles alegam que, desde outubro de 2010, quando a ONU
“contaminou o principal rio do Haiti com dejetos humanos infectados com cólera,
a doença matou mais de 8.300 pessoas, deixou mais de 650 mil doentes e continua
a matar cerca de 1.000 haitianos por ano”.
Instituto haitiano acusa ONU de provocar epidemia de
cólera no país; doença matou mais de 8.300 pessoas
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O processo detalha: “extensas evidências de que a ONU
sabia ou deveria saber que suas temerárias práticas sanitárias e de descarte de
dejetos configuraram um alto de risco de danos para a população”. A ação, em
nome de cinco haitianos e americo-haitianos, pede reparação por danos pessoais,
emocionais, perda da possibilidade de uso de propriedade e de recursos
naturais, entre outros.
Setores sociais e políticos do Haiti sustentam que a
epidemia foi originada pelo vazamento de resíduos fecais contaminados do
contingente nepalês da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti
(Minustah). Trata-se de uma possibilidade que foi admitida por vários estudos
técnicos, mas negada repetidamente pela ONU.
O porta-voz das Nações Unidas, Farhan Haq, não quis
comentar a denúncia e somente confirmou que "há um processo legal em
andamento", mas que a ONU "não costuma falar em público de processos
contra a organização". Ele insistiu que a organização "trabalhou e
continuará trabalhando" com o governo haitiano para fornecer tratamento,
melhorar as infraestruturas de água e saneamento e fortalecer a prevenção da
doença.
Em março de 2014 os advogados apresentaram um novo
processo contra a ONU perante um
tribunal federal de Nova York, medida que possui o objetivo de fazer o
organismo compensar os afetados. Entretanto o novo processo está respaldado por
um número muito maior de litigantes e por um grupo de advogados que conta com
responsáveis de grandes processos coletivos nos Estados Unidos. Questionado
sobre este novo processo, a ONU, novamente, evitou fazer qualquer tipo de
comentário.
Os litigantes, sendo a maioria familiares das vítimas de
cólera, assinalam que a epidemia matou aproximadamente 9 mil pessoas, mas afetou
cerca de 700 mil e que o problema se estendeu para vários países, com casos
registrados na República Dominicana, México, Cuba, Porto Rico e Estados Unidos.
Até o momento, tanto o governo americano como a
promotoria do distrito Sul de Nova York, onde o processo foi apresentado,
consideraram que a ONU não pode ser julgada pelas denuncias apresentadas.
Toda essa problemática causou grande repercussão na internet:
A ONU, apesar dos processos, reforçou seu compromisso de
colaborar com as autoridades haitianas para eliminar a doença no país:
Especialistas em saúde pública, em outubro de 2013, se
reuniram na capital norte-americana, Washington, para debater o desenvolvimento
da cólera no Haiti. Apesar da diminuição de casos desde o início da epidemia em
2010, eles afirmaram que a comunidade internacional deve ajudar o país a
investir em água potável e saneamento para que a doença não se espalhe pelo
continente. “Se não pararmos essa doença letal, ela pode se espalhar
para o resto da nossa região, produzindo um custo humano alto e uma catástrofe
econômica com possíveis efeitos sobre o comércio, o turismo e os
investimentos”, disse a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), Carissa F. Etienne.
Em abril de 2014 o coordenador sênior do secretário-geral
da ONU, Pedro Medrano, afirmou que o país não está recebendo a atenção
internacional que precisa. Ele pediu que a comunidade de doadores intensifique
sua ajuda para combater a doença.
Segundo ele, desde o início da epidemia, a ONU iniciou
esforços para apoiar o governo do Haiti na luta contra o que o coordenador se
referiu como “uma emergência silenciosa”. De acordo com o especialista, menos
de 17% da população tem acesso ao saneamento básico, enquanto cerca de metade
da população tem acesso à água potável. “É impossível acabar com a transmissão
de cólera e outras doenças transmitidas pela água, sem intervenções urgentes
nos sistemas de água e saneamento”, ressaltou.
O Sistema ONU no Haiti tem desenvolvido uma iniciativa de
dois anos de 68 milhões de dólares em apoio ao Plano Nacional de 10 anos do
Governo para a Eliminação da Cólera. As Nações Unidas e o governo haitiano
também estão finalizando a criação de um comitê de alto nível que
supervisionará a implementação coordenada das medidas de resposta para a cólera
contidas no Plano Nacional. O Ministério da Saúde do Haiti tem um plano, junto
com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), de vacinar 300 mil antes do final do ano. A questão dos
recursos financeiros, juntamente com a disponibilidade de vacinas, são seus
maiores desafios. O estoque global não é suficiente para atender às
necessidades de 500 mil pessoas, alertou Medrano.
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| O surto de cólera que afeta o Haiti desde outubro de 2010 parece ter diminuído, mas ainda é considerado o maior do hemisfério ocidental |
Fontes:
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/31717/vitimas+de+colera+no+haiti+acusam+onu+de+provocar+epidemia+da+doenca+no+pais.shtml
http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/vitimas-de-colera-no-haiti-voltam-a-processar-onu-nos-eua
http://pt.wikipedia.org/wiki/Surto_de_c%C3%B3lera_no_Haiti_de_2010
http://www.onu.org.br/colera-no-haiti-deve-ser-detida-para-que-nao-haja-catastrofe-economica-na-regiao-alerta-oms
http://www.onu.org.br/haiti-onu-alerta-que-epidemia-de-colera-nao-recebe-apoio-internacional-necessario/
