Nessa postagem serão
apresentados alguns métodos de diagnóstico, tratamento e prevenção da cólera.
Peço desculpas pelo caráter altamente técnico e objetivo da postagem,
entretanto questões de cunho social relacionados à doença serão discutidas posteriormente
O diagnóstico mais rápido é
feito com o uso de microscopia de fase ou de campo
escuro, que apenas identifica os vibriões, não diferenciando os sorogrupos. As
culturas podem ser feitas a partir das fezes tendo-se o cuidado de semear em
meios de cultura até 2 horas após a coleta. O diagnóstico diferencial da cólera
faz-se principalmente com diarréia infecciosa por outras enterobactérias.
As alterações
laboratoriais encontradas na cólera podem ser: hipoglicemia, hipocalemia,
acidose metabólica e elevação dos níveis de uréia e creatinina.
O tratamento
consiste inicialmente na monitorização, tratamento, e prevenção da
desidratação.
A criança com diagnóstico de cólera deve ser
hospitalizada e ter suas perdas repostas por via oral ou venosa, de acordo com
seu estado clínico. A prevenção da hipoglicemia faz parte desta terapêutica. A
acidose metabólica deve ser corrigida criteriosamente com a hidratação venosa,
e nos casos em que o pH está abaixo de 7,1 a reposição venosa com bicarbonato
de sódio deve ser efetuada.
A
terapêutica antimicrobiana é sempre necessária, porque ajuda a reduzir o tempo
de excreção dos vibriões nas fezes. Os antibióticos de uso por via oral
recomendados, são: Tetraciclina na dose de 50mg/kg/d de 6/6 horas por 3 dias,
usada apenas para crianças maiores de 12 anos e adultos. A doxicilina também
pode ser usada em maiores de 12 anos na dose de 6mg/kg/dia em dose única, com
dose máxima de 300mg/dia.
Em
casos de resistência do germe à tetraciclina, pode-se empregar a furazolidona, na
dose de 1,25 mg/kg/dia de 4/4 horas por três dias ou o
Sulfametoxazol-trimetropim na dose de 25mg/kg/dia de sulfametoxazol de 12/12 h
por três dias. Para as crianças abaixo de 12 anos, entretanto, o
tratamento é sempre iniciado com Sulfametoxazol-trimetropim.| Formula Química da Furazolidona |
Medidas de higiene ajudam a prevenir a cólera. Algumas delas são:
- Beba sempre água potável. Se não possuir, ferva a água e adicione hipoclorito de sódio (distribuído nos postos de saúde), antes do consumo. A OMS recomenda 6 mg de cloro para cada litro de água
- Lave bem as frutas e vegetais antes de comer;
- Coma alimentos bem cozidos, principalmente verduras e mariscos;
- Descasque frutas e vegetais;
- Tome precauções com relação a alimentos derivados do leite, como queijos e sorvetes;
- Em regiões endêmicas, evite alimentos crus ou mal cozidos, como sushis;
- Deposite o lixo em lugares adequados;
- Proteja os alimentos depois de cozidos;
- Mantenha bons hábitos de higiene pessoal, como lavar sempre as mãos antes de consumir alimentos, tomar banhos, dentre outros.
- Se você é viajante, verifique sempre as condições sanitárias do local para o qual irá.
Nos casos
de epidemias, hoje já existe o consenso de que a quimioprofilaxia e as vacinas
conseguem deter em parte, a propagação da doença.
As vacinas são constituídas de bacilos mortos
e a soroconversão ocorre em menos de 50% dos pacientes. A duração da imunidade
adquirida é curta, por um período de no máximo 3 a 6 meses. Existem informações
de que a vacina parece não alterar a gravidade da doença.
Atualmente, estudos têm sido feitos com novas
vacinas orais com bactérias mortas e vivas e os resultados têm se revelado
promissores. Aguarde as próximas postagens para saber mais sobre as vacinas
contra a cólera e casos epidêmicos no Brasil.
Fontes:
http://www.cdc.org
http://www.medicina.ufba.br/educacao_medica/graduacao/dep_pediatria/disc_pediatria/disc_prev_social/roteiros/diarreia/intoxicacoes.pdf
http://www.criasaude.com.br/N5856/doencas/prevencao-colera.html
Importante observar que mesmo o acesso à informações às medidas de prevenção da cólera ser, de certa forma, fácil - através de meios de comunicação como internet, televisão e campanhas de saúde - muitas vezes a sociedade não tem meios de, na prática, exercer essa prevenção. Uma forma de ilustrar isso está no acesso à água potável na américa latina na qual, segundo dados do Banco Mundial, cerca de 36 milhões de pessoas não tem acesso à água potável. Isso propicia, entre outras doenças, uma tendência de proliferação da cólera. Portanto, garantir a informação e a possibilidade de prevenção na prática devem ser conciliadas para evitar inúmeras patologias.
ResponderExcluirRealmente, Marcelo, é crítico o grau de informação das populações mais carentes. Mas assim como ela foi assustadora em lugares que hoje estão livres, a cólera pode ser combatida com ações governamentais voltadas para a promoção e prevenção induzindo o pensamento crítico nas pessoas do processo saúde doença. Mas vale lembrar que, às vezes, a população fica exposta ao risco de adquirir algumas doenças, dentre elas a cólera, involuntariamente. Um exemplo são as recentes enchentes que atingiram Rondônia por tempos prolongados que expuseram a população ao risco de adquirir a cólera, despertando o cuidado da Força Nacional do SUS para a região.
ResponderExcluirA cólera, infelizmente, é uma doença que tem "cara", pois seu público de maior incidência é justamente a população mais pobre, visto que esta é a que menos consegue seguir as recomendações de higiene e de prevenção da doença. O acesso à água potável, como disse o Marcelo em seu comentário, é um desafio para essa parte da população. As principais ações governamentais são o envio de caminhões-pipa para os mais carentes, mas infelizmente essa é uma medida apenas paliativa, pois não resolve de fato a questão do acesso à água própria para consumo e uso geral. A população geral também tem sua "parcela de culpa", pois não adiantarão todos os esforços governamentais se as pessoas não tomarem consciência de seus atos, por exemplo, o descarte correto do lixo, como foi dito na postagem, não é uma atividade rotineira das pessoas, que muitas vezes preferem abandoná-los em locais abandonados. O acúmulo de lixo nesses locais promove um meio perfeito para a reprodução do vibrião colérico, e dessa forma, o restabelecimento do ciclo da doença.
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ResponderExcluirÉ triste saber que uma doença cuja prevenção é feita através de medidas de higiene e saneamento básico, como as citadas no post, ainda seja responsável por mortes. Felizmente, o último surto de cólera registrado no Brasil foi notificado entre 2004 e 2005, mas ainda é necessário ter atenção aos casos isolados, já que a cólera é uma doença de transmissão fecal-oral e pode se disseminar caso os cuidados de higiene não sejam tomados. Já que, como abordado na postagem, as vacinas só são capazes de proteger o corpo por curtos períodos, a principal forma de prevenção é uma higiene adequada. Sendo assim, é imprescindível uma ação pública que vise conscientizar a população da necessidade de se ter uma higiene adequada para prevenção da cólera.
ResponderExcluirA prevençao da doença é simples,mas falta informação, falta orientação à população . Por isso é importante a presença do medico que cuida de saúde da família. Alguns investimentos em saneamento e em campanhas publicitárias , poupariam muito dinheiro dos hospitais e melhorariam a qualidade de vida de muita gente
ResponderExcluirAs medidas de prevenção da cólera são relativamente simples. Porém, sabemos que o problema é bastante recorrente em países pobres como o caso do Brasil. Tal fato pode ser explicado por dois principais motivos: o primeiro é bastante evidente, países pobres não têm condições de saneamento boas, deixando a população bastante exposta à cólera e muitas outras doenças de rápida contaminação. Soma-se a isso, a própria negligência dos governos e autoridades que praticamente não investem em campanhas educativas que alertem à população as formas corretas de prevenção da cólera. Aguardo os próximos posts que, como foi dito, irá abordar questões de cunho social relacionadas à doença!
ResponderExcluirÉ interessante como os conhecimentos fisiológicos como o ph ideal do sangue e os níveis de glicose no sangue são importantes para a manutenção da vida no paciente com cólera. O método de vacina por via oral de vibriões vivos da cólera parece ser bem interessante também, gostaria de saber mais a respeito.
ResponderExcluirInfelizmente no Brasil e em outros países pobres, nem todos tem acesso à água potável e ao saneamento básico, por isso, doenças de profilaxia simples, como a cólera, ainda não foram banidas. Precisa-se falar mais sobre essa e outras doenças, que podem ser evitadas com o empenho do governo e da população. Como a profilaxia é muito mais simples que o tratamento, é necessário que o governo invista mais em saneamento básico e tratamento da água, para garantir que a cólera e outras doenças sejam eliminadas e também que a população tenha uma vida mais digna.
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