domingo, 22 de junho de 2014

Surto de Cólera no Haiti





Dando continuidade ao assunto da postagem anterior, iremos agora abordar um surto epidêmico de cólera de grande importância no cenário geopolítico atual

O Surto de cólera no Haiti de 2010 começou no final de outubro de 2010 na área rural do departamento de Artibonite, no Haiti, a cerca de cem quilômetros de Porto Príncipe, capital do país. O surto matou, até 19 de novembro de 2010, 1.186 pessoas e hospitalizou 19.646, sendo que em novembro do mesmo ano foi registrado o primeiro caso de cólera na República Dominicana.
   


A causa do surto permaneceu duvidosa até que, em outubro de 2013, o Instituto para a Justiça e Democracia do Haiti (IJDH), com o apoio das vítimas da cólera, entraram com um processo na Justiça Federal de Nova York acusando a ONU de provocar a epidemia da doença no país. Eles alegam que, desde outubro de 2010, quando a ONU “contaminou o principal rio do Haiti com dejetos humanos infectados com cólera, a doença matou mais de 8.300 pessoas, deixou mais de 650 mil doentes e continua a matar cerca de 1.000 haitianos por ano”.
Instituto haitiano acusa ONU de provocar epidemia de cólera no país; doença matou mais de 8.300 pessoas


O processo detalha: “extensas evidências de que a ONU sabia ou deveria saber que suas temerárias práticas sanitárias e de descarte de dejetos configuraram um alto de risco de danos para a população”. A ação, em nome de cinco haitianos e americo-haitianos, pede reparação por danos pessoais, emocionais, perda da possibilidade de uso de propriedade e de recursos naturais, entre outros.

Setores sociais e políticos do Haiti sustentam que a epidemia foi originada pelo vazamento de resíduos fecais contaminados do contingente nepalês da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). Trata-se de uma possibilidade que foi admitida por vários estudos técnicos, mas negada repetidamente pela ONU.

O porta-voz das Nações Unidas, Farhan Haq, não quis comentar a denúncia e somente confirmou que "há um processo legal em andamento", mas que a ONU "não costuma falar em público de processos contra a organização". Ele insistiu que a organização "trabalhou e continuará trabalhando" com o governo haitiano para fornecer tratamento, melhorar as infraestruturas de água e saneamento e fortalecer a prevenção da doença.

Em março de 2014 os advogados apresentaram um novo processo contra a ONU perante um tribunal federal de Nova York, medida que possui o objetivo de fazer o organismo compensar os afetados. Entretanto o novo processo está respaldado por um número muito maior de litigantes e por um grupo de advogados que conta com responsáveis de grandes processos coletivos nos Estados Unidos. Questionado sobre este novo processo, a ONU, novamente, evitou fazer qualquer tipo de comentário.

Os litigantes, sendo a maioria familiares das vítimas de cólera, assinalam que a epidemia matou aproximadamente 9 mil pessoas, mas afetou cerca de 700 mil e que o problema se estendeu para vários países, com casos registrados na República Dominicana, México, Cuba, Porto Rico e Estados Unidos.

Até o momento, tanto o governo americano como a promotoria do distrito Sul de Nova York, onde o processo foi apresentado, consideraram que a ONU não pode ser julgada pelas denuncias apresentadas.
  
Toda essa problemática causou grande repercussão na internet:






A ONU, apesar dos processos, reforçou seu compromisso de colaborar com as autoridades haitianas para eliminar a doença no país:

Especialistas em saúde pública, em outubro de 2013, se reuniram na capital norte-americana, Washington, para debater o desenvolvimento da cólera no Haiti. Apesar da diminuição de casos desde o início da epidemia em 2010, eles afirmaram que a comunidade internacional deve ajudar o país a investir em água potável e saneamento para que a doença não se espalhe pelo continente. “Se não pararmos essa doença letal, ela pode se espalhar para o resto da nossa região, produzindo um custo humano alto e uma catástrofe econômica com possíveis efeitos sobre o comércio, o turismo e os investimentos”, disse a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), Carissa F. Etienne. 

Em abril de 2014 o coordenador sênior do secretário-geral da ONU, Pedro Medrano, afirmou que o país não está recebendo a atenção internacional que precisa. Ele pediu que a comunidade de doadores intensifique sua ajuda para combater a doença.
Segundo ele, desde o início da epidemia, a ONU iniciou esforços para apoiar o governo do Haiti na luta contra o que o coordenador se referiu como “uma emergência silenciosa”. De acordo com o especialista, menos de 17% da população tem acesso ao saneamento básico, enquanto cerca de metade da população tem acesso à água potável. “É impossível acabar com a transmissão de cólera e outras doenças transmitidas pela água, sem intervenções urgentes nos sistemas de água e saneamento”, ressaltou. 

O Sistema ONU no Haiti tem desenvolvido uma iniciativa de dois anos de 68 milhões de dólares em apoio ao Plano Nacional de 10 anos do Governo para a Eliminação da Cólera. As Nações Unidas e o governo haitiano também estão finalizando a criação de um comitê de alto nível que supervisionará a implementação coordenada das medidas de resposta para a cólera contidas no Plano Nacional. O Ministério da Saúde do Haiti tem um plano, junto com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), de vacinar 300 mil antes do final do ano. A questão dos recursos financeiros, juntamente com a disponibilidade de vacinas, são seus maiores desafios. O estoque global não é suficiente para atender às necessidades de 500 mil pessoas, alertou Medrano.

O surto de cólera que afeta o Haiti desde outubro de 2010 parece ter diminuído, mas ainda é considerado o maior do hemisfério ocidental

Fontes:
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/31717/vitimas+de+colera+no+haiti+acusam+onu+de+provocar+epidemia+da+doenca+no+pais.shtml

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/vitimas-de-colera-no-haiti-voltam-a-processar-onu-nos-eua

http://pt.wikipedia.org/wiki/Surto_de_c%C3%B3lera_no_Haiti_de_2010

http://www.onu.org.br/colera-no-haiti-deve-ser-detida-para-que-nao-haja-catastrofe-economica-na-regiao-alerta-oms
http://www.onu.org.br/haiti-onu-alerta-que-epidemia-de-colera-nao-recebe-apoio-internacional-necessario/

7 comentários:

  1. Essas denúncias são graves. Um órgão que a princípio serve para espalhar a humanidade entre as nações de repente é acusada de ser a causadora de tamanha tragédia no Haiti. Deve ser bem investigado, pois a ONU declara estar lutando para o combate a miséria e as doenças infeciosas no Haiti.
    Nesse sentido a ONU tem convocado o resto da América Latina a ajudar financeiramente, ou com técnicas de combate inovadoras, o Haiti no combate a cólera, inclusive criticando a falta de ajuda no sentido de que a epidemia no Haiti pode iniciar casos nos outros países do continente americano. Como um exemplo desse perigo iminente pode ser citada a epidemia de cólera da década de 1990 que começou com um caso em um porto peruano e se espalhou por toda a região, com 18 países afetados.

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  2. Era sabido das condições de vida dos haitianos, principalmente após um terremoto, que não abala somente o foco da ação, mas todas as áreas circunvizinhas, comprometendo toda a dinâmica do país, e diminuindo quaisquer chances de melhoria dos serviços essenciais (como água potável, saneamento básico, serviço de saúde eficiente, educação de qualidade). Todos esses fatores, direta ou indiretamente, vão provocar a vulnerabilidade à cólera no Haiti. Então porque tanta negligência por parte da ONU? E mesmo se a ONU conseguir reduzir os focos de cólera por elas causados, como andará a situação do país posteriormente? Porque de nada adiantará medidas puramente de remediação se os principais focos não forem resolvidos ou ao menos administrados.

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  3. A acusação dos haitianos contra a ONU é realmente preocupante. É absurdo que uma instituição que deveria proteger os Direitos Humanos tenha ferido um direito inalienável, como o da saúde, tão profundamente. É também lamentável o fato de uma doença cuja prevenção é tão básica, como a cólera, ainda seja um surto no Haiti. Os números revelados pela postagem são chocantes. Apenas 17% da população tem acesso a saneamento básico. Os haitianos estão sobrevivendo em condições desumanas. É necessário que o mundo se una para ajudá-los. É inadmissível que uma doença que poderia ser evitada através de saneamento básico e água tratada continue matando milhares de pessoas.

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  4. Toda a questão tratada nos conduz a uma associação entre a cólera e as regiões pobres. Sendo assim, os mais prejudicados por uma negligência da ONU - que deveria fiscalizar e impedir a manifestação da doença - são os países e as pessoas mais pobres. No entanto, deve-se lembrar que, nos dias atuais, não há uma barreira tão forte assim que separe uma sociedade rica de uma pobre. Em muitos países desenvolvidos, convivem em regiões próximas as classes mais altas e as mais baixas. Dessa maneira, a falta de cuidado com a possível contaminação pela cólera pode acarretar em uma manifestação da doença em escala geral. A exemplo disso, tem-se a epidemia de cólera que ocorreu no Sul do Brasil no ano de 1999. Isso nos faz perceber o quanto é importante que doenças relacionadas com o saneamento básico sejam tratadas de forma geral por organizações como a ONU e que haja um esclarecimento da atuação dessas organizações

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  5. Impressionante saber que um órgão responsável por cuidar do bem estar da população mundial é acusado de uma denúncia tão grave e que implica tanta irresponsabilidade quanto causar um surto de cólera num país que já é pobre e onde uma doença como a cólera pode causar morte mais facilmente que outros mais estruturados quanto à saúde. Cabe então a própria ONU ajudar os atingidos e ainda procurar recursos para que o saneamento básico do país seja estruturado para que casos como esse não voltem a acontecer.

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  6. É inacreditavel que a ONU tenha atentado contra a saude de uma população já tão degradada quanto a haitiana. O país possui extrema vulnerabilidade a doenças como a cólera. Isso por que,para evitar doenças como essas são precisas medidas muito mais planejadas do qie a remediação da dlençs. Deveria haver mais programas visando a construção de um Haiti mais higiênico e mais saudável.

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  7. Deve ser bastante desestimulante para uma organização como a ONU ser acusada de provocar a cólera em um país. Mas apesar da boa vontade da ONU, creio que ela possa sim ter provocado esse surto, mas não de forma premeditada. A ação no Haiti necessita ser emergencial, visto que a cólera que la se espalhou é a forma mais devastadora da doença.

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