terça-feira, 3 de junho de 2014

Métodos de vacinação contra a Cólera



As vacinas contra a cólera são de uso exclusivamente oral e são recomendadas apenas para casos de exposição a áreas endêmicas e de risco, segundo a Organização MUndial da Saúde (OMS). Dessa forma, é de extrema importância e interesse aos viajantes.


Condições deficientes de saneamento contribuem para a sua disseminação. O risco para viajantes depende do roteiro e das condições da viagem. A cólera é endêmica em vários países, podendo ocorrer surtos esporadicamente. São consideradas regiões de risco a Ásia e a África, além de países da América Central e do Sul.


O Vibrio cholerae não resiste a elevadas temperaturas, acima de 80 °C. Desta maneira recomenda-se que quando em viagens a estes países dêem preferência para alimentos cozidos, preparados naquele momento. Evite-se as saladas, os frutos do mar, maioneses caseiras, legumes crus, sucos, sorvetes e gelo preparados com água de origem desconhecida. Em situações de viagens a local de risco elevado recomenda-se a realização da vacina  apenas como medida complementar.

Existem 2 vacinas orais disponíveis: Dukoral (nome da marca; feita pela Crucell, Reino Unido) e Shanchol (nome da marca, feita pela Shantha Biotechnics-Sanofi Pasteur, Índia).


A vacina Dukoral  é composta por células bacterianas inteiras de V. cholerae, inativadas pelo calor ou formalina e associadas a porção não tóxica da subunidade B da toxina colérica. Ela oferece proteção eficiente contra diarréia causada tanto pela bactérias Vibrio cholerae quanto a Escherichia coli (causadora da "diarréia dos viajantes"), sendo uma opção extra para as pessoas que se deslocam para regiões de alto risco para doenças diarréicas. Deve ser usada como proteção adicional, que não substitui as demais medidas de prevenção, como os cuidados com água e alimentação. Ademais, a vacina não protege contra gastroenterites causadas por outros agentes ou diarréias de outra natureza.


A subunidade B não é tóxica por si só. Quando a vacina é administrada a uma pessoa, o sistema imunitário reconhece as bactérias e a toxina e produz anticorpos contra elas. A partir daí, o sistema imunitário passa a ser capaz de produzir anticorpos com maior rapidez quando exposto às bactérias da cólera. Estes anticorpos ajudarão a proteger da cólera ao impedirem que as bactérias e as toxinas se liguem às paredes do intestino e entrem nas células do organismo. No Dukoral, a toxina da cólera é produzida por meio de um método denominado “tecnologia de ADN recombinante”: é produzida por uma bactéria que recebeu um gene (ADN) que a torna capaz de produzir a toxina.


A vacinação com Dukoral é feita em um esquema de 2 doses para adultos e crianças acima de 6 anos de idade. Crianças de 2 a 6 anos devem receber três doses. O intervalo entre as doses é de 1 a 6 semanas. Caso o período entre doses ultrapasse 6 semanas, o esquema deve ser recomeçado. A proteção contra essas doenças começa em torno de uma semana após a administração do esquema. A Dukoral é uma vacina que estimula as defesas imunológicas ao nível do intestino, sendo uma suspensão esbranquiçada fornecida num frasco. Deve evitar-se de comer e beber 1 hora antes e 1 hora depois da vacinação.


A eficiência é de cerca de 70% e a proteção é garantida durante cerca de 2 anos após a realização do esquema. A Dukoral é pré-qualificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e licenciada em mais de 60 países.


A vacina Shanchol possui ação e esquema de uso semelhante à Dukoral, entretanto não possui a subunidade da toxina B. Está armazenada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para uso em emergências e foi considerada o método mais adequado para os países em desenvolvimento, por ser mais acessível, mais fácil de produzir, de transportar e de manter em depósito. Ademais, a Shanchol contém cepas patogênicas inativadas de O139, enquanto a Dukoral contém apenas do Vibrio cholerae O1.
  
O uso dessas vacinas foi liberado no Brasil desde 2008, entretanto devido ao seu baixo tempo de eficácia, a inclusão da vacina no calendário de vacinação não ocorrerá, permanecendo seu uso restrito apenas aos viajantes.

Vacina Dukoral


Vacina Shanchol



Fontes:

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2014/4/22/Vacina-oral-contra-colera-mostra-altamente-eficaz-contra-surto-pais,b6b93815-ed79-4bb9-be7b-4dfc3cfdadf3.html

http://www.ema.europa.eu/docs/pt_PT/document_library/EPAR_-_Summary_for_the_public/human/000476/WC500037569.pdf

http://sbmt.org.br/site/corpo_texto/1477

http://www.clinivac.com.br/colera.htm

http://www.imunevida.com.br/vacinas/colera.html

http://brasil.bestpractice.bmj.com/best-practice/monograph/451/prevention.html


8 comentários:

  1. É interessante como uma doença pode estar tão relacionada a um ambiente específico. Dessa forma, o uso pelos viajantes se faz bastante necessário, mas como disse o texto, a eficiência da vacina é relativamente baixa. Além disso, o método utilizado para a produção da vacina (que usa a técnica do DNA recombinante) pode encarecer o produto e deixá-lo menos acessível para as pessoas. Deve-se analisar tais fatores para que, no final, seu uso compense. Mas, infelizmente, sabemos que nosso sistema capitalista prioriza apenas os lucros, e não a necessidade das pessoas. Mas mesmo assim, é possível reduzir os efeitos da cólera com medidas higiênicas que devem ser hábito de todas as pessoas, além das que vivem em ambientes cuja incidência seja maior.

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  2. Incrível como a cólera tem relação direta com a realidade social de uma população, podendo ser usada como fator de análise do desenvolvimento dela. Serve como um indicativo de que o poder público nesses locais não está sendo eficiente no seu dever de oferecer os serviços básicos e indispensáveis à comunidade, a exemplo de um saneamento básico adequado.
    Quando à vacinação, é importante o fato dela não ser atribuída ao calendário básico, pois por ter relação direta com a falta de cuidados com o que se ingere pode provocar um "relaxamento" por parte de algumas pessoas no cuidado com a higiene, além de o custo benefício não compensar, como exposto na postagem.

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  4. A postagem traz uma lição que devemos tomar não apenas para a cólera mas para qualquer doença: pesquisar sobre a região para onde planejamos uma viagem. Essa pesquisa tem importância uma vez que o destino de nossa viagem pode estar sofrendo de epidemias locais ou já ser naturalmente conhecido pela proliferação de uma doença específica. Um exemplo claro disso está na malária que é muito recorrente na região Amazônica e isso já faz parte do conhecimento da população do país, ou seja, a sociedade fica mais alerta ao viajar para essa região por conta da malária. Por isso, deve haver um cuidado extra na pesquisa do local de destino de viagens para que seja possível conhecer alguma doença de fácil contração da região e tomar as medidas de prevenção necessárias para evitar a contaminação.

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  5. É interessante perceber que o ato de comer alimentos cozidos é capaz de evitar a contração de cólera, porque as altas temperaturas desnaturam as enzimas do Vibrio cholerae. Ou seja, a partir de certa temperatura, essas enzimas perdem sua função biológica, impedindo a transmissão da cólera. É também por conta dessa desnaturação que as células da Vibrio cholerae presentes na vacina Dukoral não transmitem a cólera, mas são capazes de criar uma memória imunológica.

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  6. Muito importante saber que ao viajar pra áreas endêmicas é preciso tomar a vacina, mas como essa notícia é veiculada? Será que todas as pessoas que vão para locais de risco são alertadas sobre isso e recebem a vacinação? Antes de começar a acompanhar o blog, eu sabia muito pouco sobre a cólera. Então me pergunto se e como as pessoas são informadas sobre essa doença, que, apesar de ter medidas profiláxicas relativamente simples, ainda causa óbitos no Brasil por falta de informação e falta de condições para se proteger desse parasita.

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  7. Interessante como ela esta restrita em alguns lugares. A existência desse risco de contaminação é uma coisa importante da pesquisa antecipada sobre o local ao qual se pretende viajar, a trabalho ou lazer. Um exemplo claro disso está na malária que é muito recorrente na região Amazônica e isso já faz parte do conhecimento da população do país, ou seja, a sociedade fica mais alerta ao viajar para essa região por conta da malária. Por isso, deve haver um cuidado extra na pesquisa do local de destino de viagens para que seja possível conhecer alguma doença de fácil contração da região e tomar as medidas de prevenção necessárias para evitar a contaminação.

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  8. Alguém pode me informar onde condigo obter a vacina contra a cólera:
    Dukoral®, Shanchol ™ ou Euvichol® ?

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