Nessa postagem iremos abordar um pouco do histórico da disseminação da doença no Brasil e no mundo, além de sua relação com a precariedade do saneamento básico em determinadas regiões.
A Falta de infraestrutura compromete erradicação do
cólera
Segundo dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2007), no Brasil a cobertura com
abastecimento de água é de 91,3%, na área urbana, variando de 65% na região
Norte a 95% na região Sul. Chama-se atenção para a cobertura na região Nordeste
que apesar de ter 88,8%, ocorrem constantes intermitências em seu fornecimento
para a população.
No que se refere a esgotamento sanitário a cobertura varia de 52% na região Centro-Oeste a 85% na região Sul do País. “O comportamento de cólera no Brasil sugere um padrão epidêmico, na dependência de condições locais que favoreçam a circulação do Vibrio cholerae. A vulnerabilidade à doença também pode ser constatada em áreas mais desenvolvidas do País, principalmente nos bolsões de pobreza existentes nas periferias dos centros urbanos (favelas)”, reconhece Dr. José Ricardo Pio Marins, coordenador-geral de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde (CGDT/MS).
Segundo o especialista, a
experiência internacional tem demonstrado que a introdução do cólera em um país
não pode ser evitada, podendo a disseminação ser controlada com infraestrutura
de saneamento adequada aliada a um sistema de vigilância epidemiológica
atuante. “Por isso a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS), dentre outras
ações, tem realizado a implantação da Monitorização das Doenças Diarreicas
Agudas (MDDA) no País”, salienta Dr. Pio Marins.
A MDDA é um sistema
de vigilância sentinela, que visa a conhecer o comportamento das doenças
diarreicas agudas e à detecção precoce dos surtos de doenças de transmissão
hídrica e alimentar com vistas à implantação das medidas de prevenção e
controle de forma adequada e imediata. “Apesar da inexistência de casos, o
cólera continua gerando atenção permanente da vigilância epidemiológica com a
análise do comportamento das doenças diarreicas agudas pela MDDA, o
monitoramento ambiental para identificação da cepa toxigênica do agente
etiológico no meio ambiente e também nas ações preventivas, principalmente as
relacionadas ao tratamento da água”, informa o profissional do Ministério da
Saúde.
Pandemias
Os surtos de cólera
foram mais comuns no século XIX, período em que ocorreram cinco pandemias.
Atualmente, o planeta atravessa a sétima pandemia, que começou em 1961, na
Indonésia e, até meados da década de 1970, tinha se alastrado pela Ásia, África
e Europa, matando 50% dos infectados, que corresponde a mais de 96
mil pessoas.
Após um intervalo
com relativamente poucas ocorrências, a doença reapareceu com força em
1991, entrando na América do Sul pelo Peru. Dessa vez, porém, a taxa
de mortalidade caiu para menos de 10%. Ainda assim, mais de 19 mil pessoas
morreram no mundo, naquele ano. No Brasil, foram registrados 2.013 casos
de cólera, sendo 33 fatais.
Até então, apenas o vibrião da linhagem O1 era reconhecidamente causador da doença. Em 1992, a OMS (Organização Mundial da Saúde) informou que um outro tipo, também causador de sintomas, havia sido identificado: o O139. No mundo, a OMS estima que ainda haja entre três e cinco milhões de casos da doença, com cerca de 120 mil mortes, todos os anos.
A cólera no Brasil
A sétima pandemia de cólera chegou ao Brasil em 1991 e perdurou até 2001,
atingindo todas as regiões do País, produzindo um total de 168.598 casos e
2.035 óbitos, com registro de grandes epidemias na região Nordeste.
“Entre 1992 e 1994, ocorreu uma importante redução no número de casos, sendo esta queda acentuada a partir de 1995. Em 2001, foram registrados sete casos confirmados (quatro no Ceará; um em Pernambuco; um em Alagoas; e um em Sergipe). Em 2002 e 2003 não foram detectados casos no Brasil. Já no primeiro semestre de 2004, foram registrados 21 no município de São Bento do Una, situado no agreste de Pernambuco. No primeiro trimestre de 2005, novos casos foram diagnosticados, no mesmo estado, sendo quatro em São Bento do Una e um no Recife”, diz Dr. Pio Marins ao garantir que no período de 2006 a 2012 não ocorreu no Brasil casos autóctones da doença. Já em 2006 foi registrado um caso importado procedente de Angola, e no ano de 2011 foi notificado um – importado da República Dominicana.
“Entre 1992 e 1994, ocorreu uma importante redução no número de casos, sendo esta queda acentuada a partir de 1995. Em 2001, foram registrados sete casos confirmados (quatro no Ceará; um em Pernambuco; um em Alagoas; e um em Sergipe). Em 2002 e 2003 não foram detectados casos no Brasil. Já no primeiro semestre de 2004, foram registrados 21 no município de São Bento do Una, situado no agreste de Pernambuco. No primeiro trimestre de 2005, novos casos foram diagnosticados, no mesmo estado, sendo quatro em São Bento do Una e um no Recife”, diz Dr. Pio Marins ao garantir que no período de 2006 a 2012 não ocorreu no Brasil casos autóctones da doença. Já em 2006 foi registrado um caso importado procedente de Angola, e no ano de 2011 foi notificado um – importado da República Dominicana.
http://sbmt.org.br/site/corpo_texto/1477
http://drauziovarella.com.br/noticias/casos-de-colera-fazem-parte-da-setima-pandemia-da-doenca/
Mais uma postagem que comprova a ligação forte existente entre a cólera e as condições sociais da população mais atingida. Como disse o texto, até os países desenvolvidos possuem surtos fortes de cólera, principalmente porque nesses locais, a concentração dos “bolsões de pobreza é alta”. O esgotamento sanitário e o tratamento adequado da água para consumo é a solução mais adequada para o problema. Infelizmente, o que existe com maior frequência são apenas medidas paliativas, que possuem caráter apenas temporário, por não impedirem o surgimento de novos casos. E mesmo esses cuidados paliativos não resolvem, uma vez que a população mais paupérrima não tem contato efetivo com tais medidas.
ResponderExcluirO pensamento de que um país rico não pode ser atingido por epidemias de doenças como a cólera é, como mostrou a postagem, errado. Isso pode ser exemplificado no Brasil que apesar de ter crescido bastante economicamente e ter ganhado espaço mundialmente ainda é precário no cuidado da saúde da população. Muitas regiões do país não possuem saneamento básico, tratamento de água e esgoto adequados e isso é ainda pior nos chamados bolsões de pobreza, como nas zonas rurais de muitas partes do nordeste. A partir desse problema social, cria-se um ambiente favorável para a proliferação de muitas doenças, inclusive a cólera, mostrando assim a vulnerabilidade do país
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ResponderExcluirO Brasil é um país que ainda encontra deficiências gigantescas no que diz respeito ao saneamento básico. Nota-se ,também, uma disparidade enormes entre as condições de saneamento de regiões como Norte e Nordeste, e regiões como Sul e Sudeste, mesmo o saneamento básico sendo responsabilidade do Governo Federal, como delimita o art. 52. Isso acaba se refletindo na distribuição geográfica de ocorrência de casos de cólera, que, como a postagem mostrou claramente, se concentram nas regiões Norte e Nordeste. Apesar de tudo, a situação está melhorando e é bom ver que a cólera já não é uma ameaça tão grande quanto foi no passado.
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ResponderExcluirO saneamento básico, infelizmente, ainda é um problema no Brasil, o que facilita a transmissão da cólera, que ocorre principalmente por conta de água ou alimentos contaminados.Alguns tipos de alimentos são fontes comuns de transmissão da bactéria causadora da cólera. Dentre eles, destacam-se peixes e frutos do mar, frutas e vegetais crus, grãos e águas de poços e bicas. Entretanto, é bom saber, através da postagem, que casos de coléra não ocorrem há anos no Brasil. É um grande avanço no combate a essa doença.
ResponderExcluirA inexistência de vacina eficaz para o controle da cólera deixa, como única alternativa para manter em níveis da doença toleráveis, a implementação de políticas públicas visando o aumento da educação da população, a melhor distribuição de renda, a universalização do saneamento básico e o fortalecimento do sistema de saúde, que deverá ter condições de oferecer assistência à saúde do povo brasileiro. Para isso, é fundamental o fortalecimento de programas de formação de sanitaristas e o apoio do governo brasileiro a atividades nos serviços de saúde, já que a cólera continua a causar óbitos no país.
ResponderExcluirUma curiosidade sobre a cólera é que o número de casos é maior em períodos de seca, o que causa estranhamento pelo fato da doença ser transmitida através da água contaminada. Mas deve-se lembrar que é durante a seca que os níveis de água em reservatórios, rios, lagos e lagoas diminuem o que torna a concentração de vibriões maior em relação à quantidade de água. Outro dado interessante a ser citado é o fato de o número de casos nas áreas endêmicas ser maior em jovens do que em adultos.
ResponderExcluirÉ interessante o controle da cólera no Brasil. Mas creio que a sua total erradicação só será possível quando atingirmos níveis satisfatórios de abastecimento de água de qualidade e de saneamento básico mínimo. Interessante a vistoria de doenças diarreicas nas comunidades brasileiras, já que o principal causador da morte é a intensa desidratação provocada pela cólera.
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