A cólera é uma doença de transmissão fecal-oral, portanto, países em desenvolvimento e com políticas
sanitárias precárias, são os mais atingidos. Entre 1817 e 1923, a cólera
ocasionou 6 pandemias. Regiões como a Índia, América Latina, África e zonas
tropicais da Ásia são frequentemente afetadas.
Na América do Sul, a primeira
epidemia aconteceu em 1991 no Peru. Ainda neste ano, o Brasil registrou 2.103
casos de cólera e 33 mortes. Em 1992, os números aumentaram para 37.572 casos e
462 óbitos. Em 1994, houve 60.044 casos da doença com 650 mortes e em maio de
1994 a OMS divulgou que o Brasil era o país mais afetado do mundo com o maior
número de casos.
Os dados populacionais utilizados foram obtidos na
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (FIBGE), incluindo os
dados censitários de 1991 e 1996 e as estimativas populacionais do intervalo. Os dados sobre os casos de cólera foram obtidos no Centro
Nacional de Epidemiologia (CENEPI), da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) do
Ministério da Saúde (MS), que gerencia o sistema de vigilância epidemiológica
da cólera no país.
Entre 15 de abril de
1991 e 31 de março de 1996, foram notificados ao Ministério da Saúde 154.415
casos de cólera, e a grande maioria destes casos concentrou-se na região
Nordeste, que notificou 141.856 casos (91,9%); na região Norte ocorreram 11.436
casos (7,4%); as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul registraram, em conjunto,
1.123 casos (0,7%), dos quais 25,4% concentram-se no Estado de Mato Grosso.
Na tabela abaixo
estão dispostos os coeficientes anuais de incidência apresentados por todas as
unidades federadas, entre 15 de abril de 1991 e 31 de março de 1996.
Na Figura abaixo podemos observar os coeficientes de
incidência apresentados pelo Brasil em 1993, distribuídos por sexo e faixa
etária. Em todas as faixas etárias a incidência foi maior nos indivíduos do
sexo masculino, sendo esta variação menos marcante nos menores de dezenove
anos.
Tanto para o sexo feminino quanto para o masculino, a incidência aumenta
gradativamente a partir dos 15 anos de idade, com aumento mais acentuado nas
faixas etárias mais elevadas. Nos menores de 15 anos, a incidência é maior na
faixa etária de menores de cinco anos do que nas faixas de cinco a nove e dez a
14 anos. Este padrão é semelhante para todos as unidades federadas, em todos os
anos observados.
Os
últimos casos no Brasil
notificados foram em 2001, entretanto, ocorreu um surto na cidade de São Bento
do Una em Pernambuco entre 2004 e 2005 com 26 casos. De acordo com dados do
Ministério da Saúde, entre os anos de 1996 e 2006 foram registrados 146 casos
de cólera na região Norte, 11.705 casos no Nordeste, 13 casos no Sudeste, 467
casos no Sul e 1 caso na região Centro-Oeste, totalizando 12.332 ocorrências.
A falta de saneamento básico é um grande
problema brasileiro que contribui com a disseminação de doenças como a cólera:
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Posição
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Região geográfica
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Municípios com rede de esgoto (%)
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1
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95,1%
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2
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45,6%
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3
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39,7%
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4
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28,3%
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5
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13,2%
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Estranhamente, a região Nordeste, apesar de
possuir 45,6% de suas cidades com rede de esgoto, foi a região com maior número
de casos de cólera entre os anos de 1996 e 2006. Merecem destaque os estados do
Piauí e Maranhão, com 4,5% e 6,5% respectivamente de municípios com rede de
esgoto, sendo os dois piores estados do país nesse aspecto, contrastando
fortemente com Sergipe, que é o terceiro pior do nordeste, com 34,7% de
municípios com rede de esgoto.
Mapa dos estados brasileiros por porcentagem de rede de esgoto.
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| Para mais informações acesse:
http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?pid=S0104-16731999000300003&script=sci_arttext
Outras Fontes :
http://www.criasaude.com.br/N5848/doencas/estatisticas-colera.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_unidades_federativas_do_Brasil_por_acesso_%C3%A0_rede_de_esgoto
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Incrível a discrepância da falta de rede de esgoto entre o terceiro pior e os dois últimos. Isso mostra que tanto o Piauí como o Maranhão precisam urgentemente investir em infra-estrutura, saúde e educação para alcançar melhores índices sociais, inclusive no saneamento básico.
ResponderExcluirAlém disso, os dados apresentados mostram que a incidência de cólera não depende somente da falta de saneamento, pois o Nordeste foi a região que mais apresentou casos apesar de ser a segunda com mais saneamento. Condições climáticas e falta de informação são outros indicadores que devem ser levados em conta.
Uma epidemia de cólera ocorreu no Paraná no ano de 1999. Essa epidemia ajudou a mostrar que a doença não faz distinção entre ricos e pobres, pois o Paraná está em uma região notavelmente conhecida pela riqueza e mesmo assim foi atingido pela doença. Isso mostra que se não houver a prevenção correta a doença irá se manifestar, sendo entre ricos ou pobres. Além disso, as condições sanitárias não são as únicas a influenciar no processo, uma vez que a alimentação, clima, grau de instrução também podem participar para aumentar ou diminuir a incidência da doença
ResponderExcluirPrimeiramente devemos ter cuidado com a interpretação que damos aos dados estatísticos. Dizer que 46,5% das cidades da região nordeste possuem rede de esgoto sanitário não é um dado que nos diz que esse serviço é de qualidade ou que abrange toda ou grande parte da população do local analisado. Não é um dado aprofundado o bastante para tirar conclusões dessa magnitude. Salvo essa análise, é importante levar em conta que o principal problema dessa grande incidência de cólera, além da falta de estrutura sanitária adequada, é a falta de informação e das condições para que essa informação chegue às pessoas que estão nos grupos de risco. Isso é possível trazendo aos locais de grande incidência de cólera estratégias de promoção de saúde coletiva, como a Estratégia de Saúde da Família, o que compõe o Programa de Atenção Básica, com abertura de novas UBS (Unidades Básicas de Saúde), além de outras formas de mostrar à população os perigos da cólera (e de outras doenças), e principalmente a forma de prevenção. É uma ideia mais que consumada que a prevenção é uma das formas de se melhorar a saúde pública do Brasil. Pensemos nisso.
ResponderExcluirUma pandemia de cólera iniciou-se em 1961, quando o Vibrio cholerae, ultrapassou os limites de uma área endêmica em Célebes, Indonésia, e estendeu-se a outros países da Ásia Oriental. Reforçada pelos deslocamentos da população, através dos movimentos migratórios, a pandemia chegou à Índia em 1964, e à União Soviética, Irã e Iraque em 1965 e 1966.1 Em 1970, a cólera invadiu a África Ocidental e se dispersou rapidamente ao longo da costa e das vias fluviais, até penetrar terra adentro. Nos anos seguintes, a cólera adentrou em países industrializados, mas a eficiência dos serviços de saúde, do sistema de vigilância epidemiológica e sobretudo das condições de saneamento ambiental não permitiram a sua instalação. Foi introduzida na América Latina através do litoral peruano, atingindo posteriormente o Brasil e outros países da América do Sul. Quanto à distribuição dos casos por sexo e idade, citada na postagem, o grupo mais atingido foi o de homens maiores de 15 anos, pois, devido à sua maior mobilidade, estão mais expostos a fontes de infecção, como alimentos vendidos em vias públicas. Entre os menores de 15 anos, foi o grupo de menores de cinco anos o mais atingido, o que reforça a posição de outros autores quanto à importância deste patógeno na etiologia da diarréia infantil em áreas endêmicas ou durante epidemias.
ResponderExcluirEm um curto espaço de tempo, houve uma diminuição significativa na participação das doenças infecciosas e parasitárias na mortalidade brasileira. Passou de segunda causa, em 1977, para quinta causa identificada, em 1984, caindo de 9,3% dos óbitos, em 1980, para 7,6%, em 1984.11 Em 1996, 1997 e 1998, as doenças infecciosas e parasitárias figuraram como sexta causa de mortalidade no Brasil, sendo responsáveis por, respectivamente, 5,8, 5,3 e 5,2% do total de óbitos ocorridos. Para isso, contribuiu a possibilidade crescente de acesso da população a bens e serviços essenciais, ainda que distribuídos de forma desigual e concentrados nos contingentes populacionais localizados nos bolsões de desenvolvimento.
ResponderExcluirHouve um acentuado declínio observado na proporção de óbitos por doenças infecciosas e parasitárias no Brasil, mas na região Nordeste, as mortes relacionadas a essa causa ainda são um componente importante na estrutura da mortalidade infantil e da infância. Representam cerca de 16,5% do conjunto total de óbitos. Causas não determinadas referem-se, preferencialmente, a grupos sociais mais carentes que, durante o processo doença-morte, deixaram de ter acompanhamento médico. A cólera está entre essas doenças infecciosas que causam grandes números de mortes entre as regiões menos assistidas do Brasil.
Como a maioria das doenças transmitidas pela água e de contaminação fecal-oral, a cólera poderia ser melhor controlada com índices de abastecimento de água e saneamento básico melhores. O Brasil, apesar de ser um país em constante crescimento econômico, ainda está longe de atingir um nível satisfatório desses determinantes sociais. Sem uma atuação mais energética nesses setores, que podem impedir não só doenças, como também proporcionar uma melhor qualidade de vida dos brasileiros, é difícil ter uma saúde publica de qualidade.
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